|
Quais são os formatos dos anúncios
Com o fim de descrever os formatos de anúncio veiculados
no mercado do rádio no Brasil, a presente pesquisa
partiu, basicamente, de duas hipóteses.
Por Clóvis Reis
Sinteticamente expostas, podem formular-se assim: 1) as
características dos formatos dependem da natureza
do anunciante e dos seus objetivos publicitários;
2) as características dos anúncios dependem,
além disso, do modelo de programação
da emissora na qual se veicula a propaganda, porque a oferta
programática implica uma audiência delimitada
e o manejo de uma determinada linguagem radiofônica.
Estes eixos facilitam uma definição dos formatos
vigentes no mercado e, ao mesmo tempo, oferecem uma visão
global do alcance da propaganda radiofônica, isto
é, indicam as estratégias de comunicação
desenvolvidas no meio e identificam o modo como os anunciantes
estão utilizando o rádio em nossos dias.
Para responder às perguntas da pesquisa, o método
empregado compreendeu a realização de dois
tipos de atividades: as descritivas e as analíticas.
Em um primeiro momento, interessou descrever de forma sistemática
o repertório dos relatos publicitários existentes
na atualidade.
Esta atividade incluiu uma exaustiva revisão bibliográfica
para examinar o conceito de formato que utilizaram as pesquisas
anteriores e assim poder propor uma nova definição,
revisar a descrição dos anúncios nos
estudos precedentes, oferecer um novo modelo de identificação
e descrever os relatos a partir de tais âmbitos de
caracterização, classificar as diferentes
modalidades de anúncio e propor uma tipologia dos
formatos vigentes no mercado do rádio.
Em segundo lugar, se realizou a análise da suficiência
ou não da nova tipologia e a comprovação
de como se adotam os formatos de anúncio em função
das variáveis próprias de um determinado mercado.
Em atenção a esta perspectiva se realizou
a análise prática de um estudo de caso, no
mercado publicitário do Brasil.
Em concreto, analisou-se a propaganda que transmitem as
emissoras de rádio do Estado de São Paulo,
o principal mercado radiofônico do Brasil. O estudo
se baseou em uma mostra com um total de 1.956 anúncios
que veicularam 17 emissoras, durante 102 horas de programação,
gravadas entre as 7 e as 13 horas do dia 24 de abril de
2002.
A mostra reunia as emissoras com maior média de
ouvintes do Brasil na época em que se realizou a
pesquisa (IBOPE, 2002, http://www.ibope.com.br/midia-produtos/mid-rad-audi-top5-outdez-htm),
apresentando uma diversidade na oferta programática
e representando diferentes tendências na gestão
da propaganda radiofônica. Com efeito, as emissoras
selecionadas constituíam a mostra que o Instituto
Brasileiro de Opinião Pública e Estatística
(Ibope) utilizava para calcular o investimento publicitário
realizado em São Paulo, o estado que tem o maior
número de emissoras do país, que lidera a
divisão dos recursos destinados à propaganda
e que constitui o centro da economia nacional.
Uma vez selecionada a mostra de anúncios, o seguinte
passo consistiu em determinar o desenho metodológico
da pesquisa. A aproximação específica
ao estudo utilizou uma metodologia quantitativa e qualitativa,
com o fim de medir e avaliar os resultados do trabalho de
forma objetiva e sistemática. A análise de
conteúdo foi a técnica de pesquisa escolhida
e, como fonte secundária de informação,
se realizaram entrevistas semi-estruturadas com publicitários,
profissionais do rádio, anunciantes e empresários
da área de comunicação.
Os resultados que serão expostos na próxima
semana, aqui no Caros Ouvintes, são a síntese
de uma pesquisa realizada para a Tese de Doutorado, que
o autor apresentou à Faculdade de Comunicação
da Universidade de Navarra (Espanha), em 2004, sob a orientação
da Professora Maria del Pilar Martinez-Costa.
|