A História do Rádio.
Há 80 anos, o rádio chegava ao Brasil e,
de lá prá cá, nunca parou de fazer
história
Tânia Ramos
O mês de setembro não sinaliza apenas o desabrochar
das flores, mas também de ondas sonoras - e, porque
não dizer, travestidas de sabores, aromas e cores
- que irrompem os ares, construindo castelos até
mesmo nas imaginações mais contidas e embalando,
às vezes, sonhos distantes. Ágil, companheiro
do público e capaz de chegar a qualquer recanto
do pais, o rádio adentra ambientes e circula por
lugares diversos, sempre levando informação,
música e entretenimento. Nascido em 7 de setembro
de 1922 - data da primeira transmissão radiofônica
no Brasil -, também comemora, no dia 25 do mesmo
mês, o Dia do Rádio".
Ao recém completar 80 anos no pais, o rádio
foi objeto de muitas comemorações, promovidas
pelas entidades representativas do setor, assim como de
outros segmentos da economia nacional, a exemplo do MaxiMídia,
realizado de 23 a 26 de setembro, em São Paulo,
com a presença de radiodifusores de vários
estados. Em Minas, a data foi lembrada no dia 9 de julho,
durante a abertura do VI Congresso Mineiro de Radiodifusão,
promovido pela Associação Mineira de Rádio
e Televisão - AMIRT que ofereceu uma placa alusiva
a Cláudio Roquette Pinto Bojunga, neto do pioneiro
da radiodifusão brasileira, Edgard Roquette Pinto.
Mas a notícia que, por si só, já
é um presente para este sedutor octagenário,
foi o comunicado "em primeira mão" ao
assessor Técnico da ABERT, Ronald Siqueira Barbosa,
no dia 11 de outubro, da definição do padrão
americano de transmissão digital - ou seja, o IBOC,
desenvolvido pela Ibiquity Digital Corporation. Com a
digitalização do rádio oficializada
nos Estados Unidos, cria-se o necessário precedente
para o processo chegar por aqui. Lógico que com
o costumeiro atraso, mas pelo menos, agora, pode-se fazer
uma previsão entre dois e cinco anos. Basta lembrar
que a implantação da TV digital, cujos padrões
foram testados pelos especialistas há mais de um
ano, arrasta-se até hoje devido à indefinição
do governo, explica o presidente da AMIRT, João
Bosco Torres.
São essas invenções tecnológicas,
que não param de se suceder, que tornam o rádio
cada vez mais jovem em pleno florescer dos seus 80 anos.
E as perspectivas, para o futuro, são as melhores
possíveis, pois, com a digitalização,
seu som - já bastante nítido, no caso das
emissoras FM - vai chegar quase à perfeição
nessa freqüência; enquanto as AM atingirão
a tão ambicionada qualidade das FM, sem contar
as funções extras que a tecnologia digital
trará para essa mídia eletrônica.
Vamos entender a cronologia da história das comunicações
para que possamos compreender melhor como o rádio
e a televisão tiveram sempre lugar de destaque
nos grandes acontecimentos que mudaram os rumos da humanidade:
Cronologia das Comunicações
4000-1200 A.C. Habitantes da primeira civilização
conhecida na Suméria mantêm registros de
transações comerciais em tabletes de barro.
1838 Em janeiro, Samuel Morse e Alfred Vail demonstram
elementos do sistema de telégrafo.
1844 Samuel Morse envia uma mensagem de telégrafo
de Washington para Baltimore.
1858 Um cabo de telégrafo mede o Oceano Atlântico
pela primeira vez e provê serviço por alguns
dias.
1861 Uma linha de telégrafo transcontinental conecta
o Atlântico até a costa do Pacífico.
1876 Alexander Graham Bell inventa e patenteia o telefone.
1895 Guglielmo Marconi transmite um sinal de rádio.
1904 John A. Fleming patenteia o tubo de diodo à
vácuo e fixa o início de uma fase de melhorias
na comunicação de rádio.
1906 Lee de Forest soma uma terceira válvula para
controlar o atual fluxo para o diodo de Fleming e cria
o tubo de diodo à vácuo de três elétrodos.
1907 A música de gramofone constitui o primeiro
rádio regular de Nova Iorque.
1908 O cientista britânico Campbell Swinton descreve
um método esquadrinhado eletrônico e pressagia
uso do tubo de raios catódicos para televisão.
1911 O físico holandês Kamerlingh Onnes,
da Universidade de Leiden, descobre a super condutividade.
1912 O Instituto de Engenheiros de Rádio, que é
a fusão de várias organizações,
é estabelecido para formar o IEEE.
1919 Eccles e Jordan, físicos dos EUA, inventam
o circuito eletrônico flip-flop voltado para sistemas
eletrônicos de alta velocidade.
1920- 1921 A palavra "robô" (derivou do
checo formule para trabalho compulsório) é
primeiramente usado por Karel Câpek no seu jogo
RUR (os Robôs Universais de Rossum).
1927 A face de Herbert Hoover é vista em tela durante
a primeira demonstração da televisão
no EUA. A transmissão de voz usa arames de telefone.
1929 Sinais de televisão de cor prosperamente são
transmitidos.
1940 Konrad Zuse completa o Z2, que usa relays de telefone
ao invés de circuitos lógicos mecânicos.
1957 A Rússia lança Sputnik I em órbita
em 4 de outubro, e a "corrida espacial" começa.
1958 A Bells desenvolve o sinal de modem, que habilita
as linhas de telefone para transmitir dados binários.
1962 As comunicações via satélite
da Telstar é lançada em 10 de julho e cria-se
a primeira televisão transatlântica de quadros.
1968 A Rand Corp. presenteia o setor de comunicações
descentralizadas com o conceito de cadeia de ARPA.
1971 - O IEEE Computer Group se torna o IEEE Computer
Society.
1972 - Steve Wozniak constrói um gerador "blue
box" para fazer telefonemas e o vende a UC Berkeley.
1973 - Começam os trabalhos sobre o Protocolo de
Controle de Transmissão (TCP) no laboratório
Universitário de Stanford, por Vinton Cerf.
1978 - Ron Rivest, Adi Shamir e Leonard Adelman propõem
o RSA como um sistema de criptografia com chave pública
para transmissões digitais criptografadas.
1979 - Os telefones celulares são testados no Japão
e em Chicago.
1979 - Discos de vídeo digitais aparecem, em função
dos esforços de Sony e Philips.
1982 - O Serviço de e-mail comercial começa
entre 25 cidades.
1983 - A conclusão da criação do
TCP/IP marca a criação da Internet global.
1984 - Lançado em agosto, o chip de 16 bits da
Intel instalado nos novos IBM's PC AT expande a capacidade
dos microcomputadores.
1984 - Em Neuromancer, o novelista William Gibson inventa
o termo "cyberspace", ou ciberespaço.
1985 - A Fundação Nacional de Ciência
estabelece quatro centros nacionais de supercomputadores.
1985 - Com o desenvolvimento do Windows 1.0, a Microsoft
traz as características do Macintosh para os computadores
DOS compatíveis.
1985 - Inmos introduz transputers, caracterizando a arquitetura
de processamento simultâneo.
1985 - A velocidade dos supercomputadores alcançam
1 bilhão de operações por segundo
com o lançamento do Cray 2 da Thinking Machines
Corp, que usa processamento paralelo através de
conexões de máquinas
1985 - O Omnibot 2000, de Tony Kyogo, pode mover, falar
e carregar objetos.
1989 - Tim Berners-Lee propõe o projeto de WWW
(World Wide Web, ou Rede Larga Mundial) para o CERN (Conselho
europeu para Pesquisa nuclear).
1990 - A Microsoft lança Windows 3.0 em maio, intensificando
sua disputa legal com Apple em cima de softwares "look
and feel", ou "olhe e sente", semelhante
ao Sistema operacional de Macintosh's.
1990 - Berners-Lee escreve o protótipo inicial
para WWW (Rede Larga Mundial, ou World Wide Web), que
usa suas próprias criações: URLs,
HTML e HTTP.
1993 - O Pentium da Intel é lançado em março.
1994 - O primeiro browser de Netscape é lançado
em setembro e cria rapidamente uma legião de surfistas
da Internet.
Do Código Morse ao bit
O telégrafo utiliza o Código Morse, e é
basicamente um eletromagneto conectado a uma bateria através
de uma chave (o manipulador de Morse, ou o manipulador
do telégrafo). Quando a chave é pressionada,
a corrente flui da bateria (no final da linha do emitente)
e entra no sounder no distante fim da linha. Por si mesmo,
o telégrafo pode expressar apenas dois estados:
ligado e desligado. Mas, variando o tempo e o espaço
os pulsos de liga e desliga, os operadores de telégrafos
podem enviar todas as letras do alfabeto, bem como números
e marcas de pontuação. O Código Morse
define o tempo e o espaçamento de cada caractere
em termos de estados "ligados" curtos e longos,
chamados de pontos e de traços. Mas o quê
o computador tem de semelhante com o telégrafo?
Utilizam a eletricidade e um código.
De uma maneira geral existem apenas dois estados: ligado
ou desligado. Essa condição binária
(ligado ou desligado) vai compor o "código"
utilizado pelos computadores.
O computador digital, de uma maneira geral, vai contar
"ligados" e "desligados". Para representar
estes dois estados, criou-se o bit. A palavra bit vem
de binary digits e atribuiu-se valor 1 para ligado e 0
para desligado, onde uma sequência de zeros e uns
forma o nosso "código do computador"
semelhante aos pontos e traços do Código
Morse. O bit é a menor quantidade de informação
que pode ser armazenada.
Assim como uma seqüência de pontos ou traços
representam um caractere no Código Morse, conforme
a seqüência de bits ligados ou desligados vamos
obter um caractere ou outro no nosso computador. Essa
seqüência de bits que representam um caractere
é chamada de byte.
Um byte pode ser composto por uma seqüência
de 7 ou 8 bits, e você poderia ser um fabricante
de computadores a adotar a sua própria "convenção
de código" com, por exemplo, 10 bits para
formar o seu byte. É claro que "códigos"
diferentes dificultam a comunicação entre
os computadores. Por isso, em 1966 a comunidade da informática
e das telecomunicações norte-americana criaram
o ASCII (American Standart Code for Information Interchange).
O ASCII utiliza um código de 7 bits, permitindo
representar 128 caracteres diferentes, sendo 96 imprimíveis
(as letras de A a Z em maiúsculas e minúsculas,
os números de 0 a 9 e os sinais de pontuação)
e ainda inclui muitos caracteres de controle que definem
funções não imprimíveis, como
o retorno do carro de impressão (carriage return),
salto de linha (line feed) e retrocesso (backspace). O
ASCII utiliza na verdade 6 bits variando suas combinações
entre ligado e desligado para formar todos estes caracteres,
sendo que o sétimo bit, chamado de bit de paridade,
constitui um mecanismo simples de verificação
de erro.
O ASCII foi ampla e rápidamente adotado pela comunidade
da informática e das telecomunicações
em todo o mundo (a IBM foi uma notável exceção),
constituindo o primeiro padrão nesta área.
Computadores baseados no padrão ASCII poderiam,
pelo menos teoricamente, trocar informações.
A IBM, seguindo uma antiga tradição de fazer
as coisas de sua própria maneira, não adotou
o ASCII. Em vez disso, os engenheiros da IBM desenvolveram
o seu próprio código, chamado EBCDIC (Extended
Binary Coded Decimal Interchange Code). O EBCDIC é
um código de 8 bits, podendo assim definir um total
de 256 caracteres diferentes. Esta é a única
vantagem sobre o ASCII. Ao contrário do ASCII,
os caracteres alfabéticos no EBCDIC não
são sequenciais, tornando as operações
de indexação mais difíceis. Entretanto,
o que utilizamos hoje nos nossos computadores PCs é
um ASCII de 8 bits denominado ASCII extendido.
Portanto, de maneira geral:
1 byte = 8 bits = 1 caractere (letra, número ou
símbolo)
Por ser a unidade fundamental de processamento, as medidas
são expressas em números de bytes (ao invés
de bits). Como em um sistema binário a base é
2, então 210 = 1024. Portanto, um computador com
48K de memória tem na verdade uma capacidade de
armazenar 48 x 1024 (ou 49152) bytes. Desta forma:
1024 bytes = 1KB (1 quilo byte)
1 KB x 1024 = 106 bytes = 1 MB (1 Mega byte)
1 MB x 1024 = 109 bytes = 1 GB (1 Giga byte)
1 GB x 1024 = 1012 bytes = 1 TB (1 Tera byte)
Os primeiros microcomputadores eram baseados em microprocessadores
de oito bits, ou seja, processavam oito bits (ou um byte)
de informação em uma única operação.
Para processar mais do que oito bits, precisam realizar
duas ou mais operações separadas. Já
os computadores pessoais como os baseados nos microprocessadores
Intel 8086, 8088 ou 80286, são PCs de 16 bits.
Isto significa que podem trabalhar diretamente com números
binários de até 16 casas ou bits (2 bytes),
o que traduzindo para números decimais, equivale
a 65.536. Se a operação exigir um número
superior a esse, o PC precisa, em primeiro lugar, quebrar
esses números em componentes menores, realizar
a operação em cada componente e então
recombinar os resultados em uma única resposta.
Os PCs baseados nos microprocessadores Intel 80386 e 80486,
são computadores de 32 bits, ou seja, podem manipular
números binários com até 32 bits,
o equivalente à notação decimal 4.294.967.296.
A habilidade de trabalhar com 32 bits por sua vez torna
esses PCs muito mais rápidos. Os computadores baseados
no microprocessador Pentium da Intel ou no microprocessador
Alpha AXP são computadores de 64 bits. Isso é
chamado de tamanho da palavra ou a word do computador.
Jornalismo e linguagem na era da produção
simbólica
É fácil compreender que o Código
Morse é um código. Porque, se digito três
traços, três pontos, três traços
e alguém me pergunta de que se trata, respondo:
é um S.O.S. Se me perguntam o que é S.O.S.,
digo que é um pedido de socorro. Se insistem, querendo
saber que tipo de socorro (porque se pede socorro ao colega,
se falta o grampeador, e ao restaurante da esquina, se
uma visita chega para o jantar), vou à História
e digo que são as iniciais de save our souls. Mas,
se pedem para mostrar o que significa essa expressão,
não terei como fazê-lo, porque nada tenho
à mão que seja um sujeito do cais de Liverpool,
no convés de um brigue, gritando a Deus que o salve
em meio a uma tempestade.
É difícil entender a língua apenas
como código porque, para o usuário, a língua
é o que a língua diz. No entanto, são
tantas as "introduções à semântica",
tantas discussões sobre o que é significado,
significação, sentido, representação,
referente, conotação, denotação;
sobre como o dinamarquês mening, de Hjelmslev, difere
do inglês meaning - tanta coisa, enfim, frustrante,
que a semântica lembra certas virgens que diziam
existir antigamente, muito freqüentadas mas intimamente
desconhecidas.
No Ar
Definitivamente, não podemos comemorar os 80 anos
do rádio sem fazer alusão àqueles
que, de uma forma ou de outra, mantém suas ondas
no ar. A explicação é simples: Fazer
rádio no Brasil, em qualquer elo em que se situe
nessa cadeia, é acima de tudo um exercício
de amor. Colhe-se, pelo pais afora, incontáveis
histórias de pioneirismo e de dedicação.
Aqui, em Minas, temos uma infinidade delas, mas, impossibilitados
de fazermos jus a cada um dos nossos radiodifusores e
radialistas, vamos lembrar algumas trajetórias
só para ilustrar.
O diretor-superintendente da Rádio Alvorada, Francisco
Bessa, é um que, ao migrar do jornalismo impresso,
"provou da cachaça", como ele mesmo diz,
e nunca mais pensou em fazer qualquer coisa que não
seja rádio. No setor desde 1976, aportou na Alvorada
em 1985, quando implantou o atual formato da emissora
- com o slogan "Sempre Qualidade" -, que concilia
música e informação. Apesar da crise
econômica, que afeta a todos os setores da economia,
mas principalmente ao rádio, segundo ele, sequer
cogita a possibilidade de fazer o caminho de volta.
Não se pode falar do rádio em Minas sem
citar a Itatiaia. Embora não seja uma das emissoras
mais antigas do Estado - acaba de fazer "bodas de
ouro" -, é a que mais fez história.
Nestes 50 anos, a emissora acompanhou todas as evoluções
tecnológicas e, conseqiientemente, ampliou sua
cobertura. Segundo o diretor Geral, Emanuel Carneiro,
a Itatiaia já está completamente adaptada
para iniciar a operação digital. Precoce
como a maioria dos radiodifusores, Emanuel Carneiro começou
a trabalhar na Itatiaia, com o irmão e fundador
Januário Carneiro, como office boy, aos 13 anos.
Com orgulho, ele conta que passou por todos os setores
da emissora, "aprendendo com os bons profissionais
que a Itatiaia sempre teve", e não parou mais.
O diretor Comercial da Rádio Cancela, de Ituiutaba,
no Triângulo Mineiro, Saavedra Fontes, começou,
de forma inusitada, aos 14 anos. Segundo ele, estava numa
fila bancária quando recebeu o convite para trabalhar
na Rádio Sociedade de Muriaé, na Zona da
Mata. Não muito diferente é a história
do diretor-presidente das rádios Difusora Formiguense
AM e Sistema FM, de Formiga, Antônio Leão
da Silva, que começou como operador de som, foi
comunicador, vendedor, até que, em 1945, adquiriu
a emissora, pagando-a com o próprio trabalho. Sua
emissora também está preparada para receber
a digitalização, adianta.
o CRISE - Os radiodifusores não são unânimes
apenas no amor pelo veículo; todos afirmam que,
hoje, o rádio passa por uma profunda crise. Os
motivos vão desde o "desconhecimento da força
do rádio até o aumento da concorrência,
com o advento da TV por assinatura, internet e mídias
externas (out-door, bus-door), por exemplo, sem que haja
crescimento da verba publicitária", pondera
Francisco Bessa.
Emanuel Carneiro acrescenta que "o problema do rádio
teve início no governo Sarney, quando ele distribuiu
freqiiências com fins políticos, para pessoas
que não pertenciam ao meio, desvirtuando a função
do veículo". Neste governo, o problema foi
agravado pela mal elaboração da Lei das
Comunitárias, que permitiu a proliferação
de rádios "piratas", enquanto "as
autoridades fizeram vista grossa às irregularides",
critica.
A saída, na avaliação de Bessa, é
uma maior união da categoria para a exemplo de
outros setores, barrar os desmandos a que estão
sujeitos, sobretudo na esfera política. Com quem
concorda Emanuel, lembrando que se isso tivesse sido feito
por ocasião da Lei das Comunitárias, hoje
elas não estariam burlando a legislação
como vem ocorrendo.
No que se refere à captação de verbas
publicitárias, a expectativa é de que o
rádio venha a melhorar sua participação
no bolo. Há quatro anos, o setor captava apenas
3,7% do investimento total, pulando para 4,9% em 2000
e para 5% em 2001, segundo pesquisas.
A História do Rádio no Brasil
O rádio chegou ao Brasil em 1922, período
de efervescência cultural no país. Naquele
ano, a empresa americana Westinghouse Eletric International,
atraída pelas nossas potencialidades, desembarcou
no Rio de Janeiro, então capital federal, para
demonstrar o funcionamento de uma emissora radiofônica.
Foi instalada uma estação de 500 watts,
no alto do Corcovado, e, no dia 7 de setembro, durante
as comemorações do Centenário da
Independência, o discurso do então presidente
da República, Epitácio Pessoa, chegou ao
público por intermédio de um sistema de
"telefone alto-falante". Suas palavras também
foram ouvidas em São Paulo, Petrópolis e
Niterói, graças à instalação
de uma potente "estação transmissora".
No final das comemorações, a rádio
saiu do ar e só em abril de 1923, quase um ano
depois, surge a Sociedade Rádio do Rio de Janeiro,
por iniciativa do antropólogo Edgard Roquette-Pinto,
em sociedade com o diretor do Observatório Astronômico,
Henrique Morize. A Rádio, com programas educativos
e culturais, influenciou o surgimento de várias
emissoras no pais.
O rádio comercial, contudo, surge somente a partir
de 1932, com a legalização da publicidade,
pelo então presidente Getúlio Vargas. Tanto
que na década de 30 são criadas várias
emissoras, entre elas, a Record, de São Paulo,
e a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, em 1931;
Rádio Inconfidência, de Belo Horizonte, em
1936; e Tupi, de São Paulo, em 1937.
Nessa época, o rádio vai aos poucos abandonando
seu perfil educativo e elitista, para firmar-se como um
popular meio de comunicação. A linguagem
é modificada, tornando-se mais direta e de fácil
entendimento. É o tempo áureo do rádio,
com grandes ídolos como Carmem Miranda, Linda Batista
e, entre outros,
Orlando Silva. Surgem também os programas de humor,
de auditório e as novelas radiofônicas. Houve
produções históricas, como o lendário
"Repórter Esso", que permaneceu no ar
durante 28 anos.
Com a chegada da televisão, nos anos 50 - trazida
por Assis Chateaubriand -, houve um esvaziamento nas emissoras
de rádio. Artistas, técnicos, entre outros
profissionais, migraram para a TV, em busca de novas oportunidades
profissionais.
o MINAS GERAIS - A primeira emissora implantada em Minas,
e também uma das primeiras do país, foi
a Rádio Sociedade de Juiz de Fora. Em 1936, surgiram
as rádios Guarani e Inconfidência, em Belo
Horizonte, e, em 1952, a Rádio Itatiaia, seguida
da Rádio Jornal de Minas, hoje Rádio América.
Em 1974, foram criadas as rádios Pampulha, atual
Rádio Capital, e Tiradentes, hoje CBN. A primeira
FM mineira foi a Rádio Del Rei, datada de 1970.
Nesses 80 anos, o rádio passou por várias
mudanças. Em 1968, surgiram as emissoras de freqüência
modulada - as FMs -, voltadas para a programação
musical; enquanto as tradicionais AMs dedicam, cada vez
mais, espaço ao radio jornalismo e às transmissões
esportivas.
A CBN, criada em 1996, é a única FM só
de notícias.
Agora, depois de enfrentar vários desafios, o rádio
está na iminência de, mais uma vez, passar
por uma profunda transformação, a fim de
se adequar às novas tecnologias do milênio.
A história oficial determina a data de 7 de setembro
de 1922 como o início do rádio no país,
com a alegação de que esta foi realizada
de acordo com os padrões da época. Há,
contudo, registros de transmissões anteriores,
como é o caso da Rádio Clube de Pernambuco,
fundada em 6 de abril de 1919, portanto quando sequer
existiam transmissões radiofônicas na América
Latina.
Segundo esses registros, a Rádio foi fundada por
um grupo de amadores, sob a liderança de Augusto
Joaquim Pereira. A emissora utilizava discos emprestados
- de óperas, música clássica e recitais
-, que eram ouvidos através de um receptor que
funcionava com fones de ouvido.