| Restrição a propaganda de
bebidas alcoólicas é criticada.
Informação: ABERT - Associação
Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão
- 27/03/2008
O Globo - O País - Publicidade
Associação Brasileira de Anunciantes diz
que pressa do governo para aprovar projeto prejudica o debate
Jailton de Carvalho
BRASÍLIA. A Associação Brasileira
de Anunciantes (ABA) criticou ontem duramente a decisão
do governo de pedir urgência constitucional para a
votação do projeto que restringe a propaganda
de bebidas alcoólicas na TV. Em nota divulgada no
início da noite, a ABA sustenta que a pressa do governo
prejudica o aprofundamento do debate e dificulta a participação
de todos os interessados na questão. A ABA representa
um setor que movimenta em torno de R$ 30 bilhões
por ano.
O projeto, enviado pelo governo ao Congresso no fim de
janeiro, e um pacote de 13 medidas provisórias estão
trancando a pauta de votação da Câmara
desde segunda-feira.
Segundo um dos auxiliares do presidente da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT-SP), se as medidas provisórias
forem votadas no ritmo esperado pelo governo, o projeto
que restringe a propaganda das bebidas será apreciado
em um mês. Setores do poder Executivo e de agências
reguladoras continuam insistindo por todos os meios em regular
de forma impositiva a propaganda de algumas categorias de
produtos e serviços, a partir de suas convicções
pessoais e da visão de reduzidos grupos de pressão
setoriais, sem a adequada discussão ampla e pública
nos canais constitucionais adequados, protesta a ABA
na nota distribuída à imprensa.
O projeto 2.733, elaborado pelo Ministério da Saúde
e da Secretaria Nacional Antidrogas, muda o conceito de
bebida alcoólica. Hoje só são consideradas
alcoólicas bebidas que tenham a partir de 13 graus
Gay Lussac de teor alcoólico.
O texto do governo classifica como alcoólica qualquer
bebida que tenha 0,5 grau Gay Lussac de teor alcoólico.
Com essa redefinição, a indústria ficará
proibida de fazer anúncios de cervejas, vinhos e
coolers, entre outras bebidas, das 6h às 21h. Segundo
o vice-presidente da ABA, Rafael Sampaio, se for levado
adiante, o projeto poderá baixar a qualidade da bebida
vendida no país.
Se as empresas responsáveis não puderem
usar a propaganda como ferramenta, vão entrar no
jogo de outras empresas que é baixar o preço
e, com isso, a qualidade disse Sampaio.
Ele argumenta ainda que a medida pode comprometer programas
de consumo cuidadoso que estão sendo desenvolvidos
por algumas empresas. A entidade reforça mais
uma vez que é essencial preservar a liberdade de
empreender e as práticas de marketing e comunicação,
que têm sido esteios essenciais da grande evolução
da qualidade técnica de inúmeros produtos
e serviços; assim como contribuem para a redução
absoluta e relativa de seus preços beneficiando
de forma direta os consumidores, mas sem deixar de atender
às necessidades de provimento do Estado, pela expansão
do pagamento de impostos, taxas e assemelhados, acrescenta
a nota da ABA.
A medida provisória 415, que está prestes
a ser votada na Câmara, também define em 0,5
grau Gay Lussac o teor em que uma bebida é considerada
alcoólica.
Mas o conceito só se aplica à venda de bebidas
às margens de rodovias federais.
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