Eficácia e eficiência da insuperável comunicação oral

Contrariando as previsões dos descrentes que profetizavam o fim a supremacia do poder das ondas sonoras transmitida eletromagnáticamente, principalmente a partir do advento da televisão nos anos cinqüenta, o rádio vem cumprindo gloriosamente o seu destino e a sua vocação real, mantendo até os dias de hoje a soberania entre os meios de comunicação de massa.

As pesquisas apontam que das cinco da manhã até as sete da noite, o rádio predomina na preferência do público, seja nas grandes metrópoles, por razões próprias, entre os quais a formação de constantes congestionamentos causados pelo caos no trânsito, ou seja, nas cidades menores pelas suas, aonde invariavelmente é o único veiculo de comunicação de massa.

Este quadro não se verifica somente no Brasil, mas com maior ênfase ainda nos paises do Primeiro Mundo, superando consideravelmente a audiência televisiva, mesmo no horário noturno, como é o caso de uma programação jornalística de rádio na França, levada ao ar as sete da noite, o que tem propiciado uma recuperando na participação no bolo publicitário, ainda que muito aquém do desejado, devido falta de conhecimento efetivo do verdadeiro potencial desta mídia.

A mobilidade, a velocidade, versatilidade, interatividade, abrangência e essencialmente constituindo-se numa constante companhia são algumas das características que o diferencial dos outros.

A maior virtude deste meio de comunicação está na sua singular natureza sonora. Rádio é som e só. Ele trabalha com o imaginário das pessoas, proporcionando ampla liberdade na concepção das formas, cores e tamanhos, sobre o que se sesta ouvindo, além de ativar a memória do olfato, tato e visão, sem deixar de contar com o principal ingrediente do rádio que é trabalhar a emoção. Isto ocorre, ao se enfatizar determinadas expressões de uma narração, seja através de uma informação, um comentário, uma narração esportiva, uma música ou um simples ruído, provocando diferentes interpretações, sem que o ouvinte possa contesta-la de imediato, dada à rapidez que a comunicação auditiva é assimilada, atuando tanto no consciente, quando o ouvinte ele está atento à mensagem, como no inconsciente, quando ele está com a atenção apenas parcial.

Analogamente a leitura exige, além de concentração absoluta, necessidade de ser interpretada para ser compreendida ou no caso da imagem, seja ela fixa ou móvel, está graficamente definida e delimitada.

Partindo do conceito que rádio é a extensão da voz de um lado e do ouvido de outro, cabe-lhe a função básica de ser transmissor de informação de efetivo de interesse público, difusor de conhecimento e propagador de valores indispensáveis para a vida em sociedade, necessitando estruturalmente o restabelecimento da sua função social.

Com a evolução da informática na vida de todos os setores, as perspectivas para o rádio são altamente favoráveis, ganhando novos e substanciais horizontes. Além dos consagrados aparelhos receptores, sejam os portáteis, domiciliares, no carro ou mesmo acoplado em diversos produtos eletrodomésticos, está absolutamente integrado na rede mundial de computadores.

Hoje as pessoas podem ouvir rádio acessando vários sites das emissoras nacionais e estrangeiras pela Internet que numa associação com o rádio digital que vai tornar possível o acesso a mais de uma centena de emissoras de todo do mundo em qualidade de CD, além de considerarmos o valor do formato radiofônico, batizado por Adam Curry em 2004 de podcast, produzido para ser ouvido pela rede mundial de computadores ou mesmo por aparelhos de MP3 player ou celulares, proporcionando total mobilidade e escolha do que, onde e como se quer ouvir determinada programa de rádio.

As modernas tecnologias estão definitivamente reatualizando o rádio que nasceu sob o estigma da interatividade, baseada numa relação intimista entre emissor e o receptor, fenômeno semelhante que se repete nos dias de hoje na Internet.

Mas duas questões nos parecem fundamentais para serem refletidas. Uma delas é quanto ao conteúdo a ser oferecido ao público, qual o verdadeiro papel que devem desempenhar na sociedade atual. Outra indagação é quanto à participação mais efetiva do mercado publicitário, proporcional a importância desta mídia, necessária para dar dignidade econômica para manter a sua realização.

Jorge Cury
Diretor Executivo
Central de Radiojornalismo
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